Me deparei com uma reportagem da Época que falava sobre o suícidio de um garoto de 16 anos que foi motivado pela Internet. Obviamente, ele tinha sérios problemas psicológicos e fortes tendências suicidas, mas era também um gênio um garoto super dotado que tinha um imenso futuro a sua frente. Porém, ele não conseguia enxergar isso, tudo que via era dor e desilusão. Tinha uma vida perfeita, pais cultos e carinhos, morou fora do país, era fluente em várias línguas, mas não era um riquinho mimado, era apenas um garoto sensível demais exposto á um mundo grande e cruel demais.
Ele não conseguiu suportar, e foi motivado por pessoas que não o conheciam, que não faziam idéia da atrocidade que faziam ao dar apoio para que tirasse a própria vida. Tinha apoio de um psicanalista que fez o que pôde para salvá-lo, mas não teve forças para lutar contra as “vozes sem corpo” que vinham da Internet. É uma história triste, muito triste, que me faz pensar.
Já faz algum tempo que tenho interesse por esse tipo de assunto, a exposição de jovens e crianças na Web. Observo pais preocupados e que se sentem de mãos atadas, observo pessoas oportunistas e insanas que se aproveitam da ingênuidade e da fragilidade desses jovens. Também sou jovem, mas trabalhando e estudando a Internet tenho capacidade de fazer uma análise sobre o assunto, mais do que isso, já vivi uma experiência semelhante.
Aos 15 anos, me vi em uma cidade do interior, depois de duas mudanças seguidas, tendo largado todo o mundo que conhecia e os amigos que fiz. Sempre fui muito comunicativa, mas naquela época, em meio a uma crise existêncial, me vi sozinha, confusa, perturbada e depressiva. Meus pais nada podiam fazer, só assistiam preocupados o que acontecia comigo. No entanto, não tive o mesmo fim deste garoto por que eu era diferente dele em alguns pontos, eu não era e não sou um gênio hipersensível, eu não tinha os mesmos problemas psicológicos dele e o principal: eu usei a Internet como uma forma de comunicação positiva com o mundo, como uma libertação.
Eu passava os meus dias escutando rock e viajando na Internet, expandindo meus horizontes e tendo apoio de amigos via Web. Jamais entrei em sites que motivavam o suícidio (embora essa idéia tenha passado pela minha cabeça na época), eu não era corajosa o suficiente e agradeço todos os dias por isso.
O que eu posso refletir após relatar tudo isso, é que a Internet traz um mar de possibilidades. Temos ainda muito a fazer para tornar a Web segura e podermos deixar nossos jovens e crianças navegar sem medo. O que me preocupa é que culpem a Internet, como o próprio psicanalista disse: ”o que a internet faz é dar suporte a uma idéia”, essa é a verdade, ela não tem a capacidade de fazer lavagem cerebral, ela apenas dá suporte para que se desenvolvam idéias sejam elas boas ou ruins.
Ainda desenvolverei mais sobre esse tema, estamos só começando a entender as possibilidades do mundo Web e quem trabalha com isso tem o dever de descobrir que medidas podem ser tomadas para que possamos controlar as idéias desenvolvidas dentro dela. Escrevi tudo isso por que essa história me deixou chocada e triste, e eu gostaria de dividir isso com os leitores desse blog.
Update: A imagem que ilustra esse post é a capa do cd que contém músicas de autoria do garoto que eu citei. O cd está sendo lançado pelos pais como uma homenagem póstuma.
1 Comentário
Fevereiro 13, 2008 às 6:43 pm
O problema não se resume à internet. O buraco, nesse mundinho podre é bem mais embaixo.
A gente não pode culpar as facas e os revólveres por matarem pessoas. Se não houver alguém empunhando a arma, não haverá vítimas… proibir de vender bebidas alcoólicas em lojas que ficam próximas às rodovias não vai diminuir o número de acidentes, assim como colocar imagens de pessoas esgualepadas em carteiras de cigarro não diminui o consumo de tabaco. Eu poderia citar um montão de exemplos que não fazem sentido para melhorar isso ou acabar com aquilo. Porém, o grande vilão de todas as histórias trágicas, como a do menino que se matou por influência das vozes sem corpo da internet, é o ser humano. O bicho homem é o único animal que mata por prazer e crueldade.